Puxou a manta empoeirada e deitou-se na cama, tentando
reviver as lembranças que há muito tinham se perdido. Ao fechar os olhos,
adormeceu pelo cansaço e sonhou rever o quarto na forma antiga, lembrou-se de
tudo que fazia parte da sua felicidade naquela época.
Acordou chorando, pela primeira vez, desde os dias antigos,
chorou por não poder tocar na velha alegria que antes lhe enchia o coração. As
lágrimas, acabaram trazendo mais lembranças, algumas doces, outras amargas, mas
todas dignas de se fazerem presentes naquele momento.
Meio acordado meio sonhando, percebeu o quanto o passado
estava distante, se lembrou de quando o rosto era liso, a casa barulhenta, e as
crianças pequenas.
Agora estava só, estava velho e não haviam mais crianças,
nem os netos vinham lhe visitar.
Se estava só, não havia motivo para limpar, para bater a
poeira, para seguir em frente. Afinal, o que sustenta uma velha vida se não
suas lembranças, arrependimentos e frustrações?
Adorei!!!
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