sábado, 29 de junho de 2013

Levanta moça!

Então levanta moça, olha da janela. O clima está ameno e o sol faz questão de brilhar.
Toma um banho frio, deixa a tristeza acompanhar a água que te banha e sem demora se esvai.
Levanta moça, veste uma roupa bonita, pinta a boca, ajeita o cabelo, coloca um sorriso no rosto e vem pra cá.
As crianças correm em algazarra faz tempo, a roupa branca já está no terreiro à quarar.
Levanta moça, é sábado, vem olhar daqui de fora, escutar a natureza, vem mostrar sua beleza.
Na beira do rio as lavadeiras já estão a fofocar e adiante as piadas dos homens os fazem gargalhar.
Levanta moça, sacode a roupa de cama, coloca um sorriso no rosto e vem pra cá!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Eu to de TPM

Não, eu não quero saber quando "a minha vida vai encostar na sua"
Eu não quero gritar aos 4 ventos um "beija eu"!
Eu tô cansada desse "seu corpo moreno  abrindo caminhos".
Sabe o que eu quero? Quero amor de verdade, amor de usar o banheiro de porta aberta.
Quero ficar doente e ter você de enfermeiro com o maior bico que eu já vi na vida. E dizendo: não vou sair e deixar você aqui desse jeito, né?!
Sabe o quê mais? Que se exploda "jantar a luz de velas, e amor de sobremesa" eu quero mesmo é dar uma rapidinha pra gente correr e ver  jogo do Brasil.
Ou, então, ouvir um hoje não porque eu to muito bêbado, e o ronco começar meio segundo depois.
"O que eu quero, é ter a sorte de um amor tranquilo, com sabor de furta mordia". Sem licença poética, com direito a chinelo espalhado pela casa e cueca na chave do chuveiro.
Eu quero você, quero sua mãe, suas tias e seus problemas. E que venha tudo com "a força de um furacão", porque isso amigo, isso é a vida real. E quer saber?


VOU DESLIGAR O RÁDIO PORQUE HOJE EU TÔ DE TPM!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

#vemprarua




Não é por 0,20 centavos, não é pela foto, é pelos 50 milhões perdidos em corrupção todos os anos, é pelo estádio faraônico que foi construído em Brasília e nunca mais será usado depois da copa, é porque tenho um ex presidente aposentado por invalidez por não ter um dedo da mão e tenho um pai que não tem os movimentos de uma perna que nunca conseguiu esse feito. É porque tem gente morrendo em fila de hospital, é porque o país que mais arrecada impostos no mundo possui crianças estudando em escolas de barro no nordeste, é porque nunca vi nenhum político usar o Sistema Único de Saúde. É porque 30 dias de pão e circo na copa não vão me deixar esquecer que somos, sim, um país pobre, onde ainda tem gente morrendo de fome, onde ainda tem crianças sem vagas em escolas, sem vagas em hospitais. Não se trata de esquerda ou direita, é ir pra frente, acorda, Brasil! Foi uma noite linda, sensação inexplicável. Ver na redes sociais e na televisão que o mundo está voltando atenção para nós é gratificante. E é doido pensar que podemos estar fazendo parte de uma história que será contada daqui a alguns a anos, como nossos pais nos contam as deles. Mas na mesma proporção foi decepcionante ver depredações feitas por partes isoladas do manifesto, se é que fazem mesmo parte. Não os julgo, não posso cobrar deles uma educação que nunca lhes foi oferecida, mesmo sabendo que nada justifica violência. Cada um expressa seu ódio ou indignação a sua maneira, tenho certeza que dos cem que estavam nas ruas de Vitória ontem, mais de noventa e nove mil o fizeram cantando bem alto, sacudido sua bandeira, pintando a cara e chamando os que estavam nas janelas com o grito que se tornou símbolo do manifesto 'VEM PRA RUA'. Então, o que dizer? Quem depredou patrimônio público ontem envergonhou os demais integrantes do manifesto, que sempre foi e será pacífico mas não são nem menos nem mais violentos e tampouco despreparados do que aqueles que nos esperavam do outro lado com bombas e spray pimenta, a diferença, a meu ver, a única, era e sempre será o uniforme. Violência não se justifica, mas não se justifica em posição alguma. Já cantava Renato Russo e estava certo 'São assassinos armados uniformizados!' Estávamos em tempos de paz, acordamos e fez-se a guerra. Se o manifesto reuniu 100 mil pessoas aqui em Vitória, não forme sua opinião baseando-se nas 20 que depredaram o pedágio. E vale lembrar, vandalismo é o que vem sendo feito pelo governantes com o país que mais arrecada impostos no mundo e ainda não descobriu o destino desse dinheiro para além dos bolsos deles. E Feliciano ninguém esqueceu de você, só estamos reclamando de uma merda por vez. Lembrem-se, se não fossem os protestos não estaríamos votando hoje e negro seria escravo. Espero que tudo acabe bem, mas até lá, deixo avisado aos navegantes que os meus ideais, junto com os de quem foi à rua ontem são a prova de bala de borracha, spray pimenta, depredação, quebra quebra, correria e o cacete que vier.


Texto de Carla Joana Magnago

terça-feira, 18 de junho de 2013

Ontem fomos para a rua!

Fomos para quê? Para protestar. Pelo quê?
Nesse ponto a narrativa se abre em muitas hipóteses. O próprio evento na rede social tem tantas causas que apostamos que muitos não leram até o final por pura preguiça. A vontade de andar na rua na hora do rush para ver história acontecer era maior.
Hoje, um dia depois, vimos muitas críticas, muita cobertura da mídia e muito apoio nas redes. Ok, e?
Continuamos perguntando o “pelo quê?”.  Há muitas causas, tantas ,que o protesto pode se diluir e não dar em nada a qualquer momento. Pode sim, não adianta negar.
Além disso, tem muita gente que sempre foi pra rua gritar por uma causa, reclamando do “ O Gigante Acordou” eu digo para vocês: aproveitem o momento, parem de dizer que vocês não estavam dormindo, todo mundo sabe!
Vocês, que sempre foram politizados, que sempre conheceram os absurdos e se movimentaram, aproveitem para ganhar pessoas para suas causas, peguem esses que só acordaram agora e mostrem para eles o foco que precisam!
É certo e claro que nenhum movimento sério quer “reaças” e vândalos, mas vimos tantas pessoas ontem na rua que não tinham opinião totalmente formada e que contavam apenas com a revolta com todo o lixo que aguentamos dia a dia! Gente, essa é a matéria da mudança, o primeiro passo demos, nos tocamos que temos voz e que precisamos fazer alguma coisa, nem que seja bater panela na varanda do apartamento.
Ponte da Passagem, Vitória ES
Esse pessoal, essa maça, precisa de direção, precisa de liderança, pois sem ela a anarquia e o vandalismo tomam conta. E não, não estamos falando de liderança político/partidária, não mesmo! O povo está cansado dos políticos que temos, está cansado da impunidade. Precisamos de líderes comunitários, presidentes de associações de todo o tipo, gente com dom para falar com a imprensa, para ouvir os outros e ajudar a causa a dar resultado.
O gigante acordou sim! E tomara que ele aprenda a olhar em um direção de cada vez, pois será com um passo de cada vez que mudaremos este país.



O Brasil é nosso, e só nós podemos fazer isso por ele.

sábado, 15 de junho de 2013

O velho passado

Puxou a manta empoeirada e deitou-se na cama, tentando reviver as lembranças que há muito tinham se perdido. Ao fechar os olhos, adormeceu pelo cansaço e sonhou rever o quarto na forma antiga, lembrou-se de tudo que fazia parte da sua felicidade naquela época.
Acordou chorando, pela primeira vez, desde os dias antigos, chorou por não poder tocar na velha alegria que antes lhe enchia o coração. As lágrimas, acabaram trazendo mais lembranças, algumas doces, outras amargas, mas todas dignas de se fazerem presentes naquele momento.
Meio acordado meio sonhando, percebeu o quanto o passado estava distante, se lembrou de quando o rosto era liso, a casa barulhenta, e as crianças pequenas.
Agora estava só, estava velho e não haviam mais crianças, nem os netos vinham lhe visitar.

Se estava só, não havia motivo para limpar, para bater a poeira, para seguir em frente. Afinal, o que sustenta uma velha vida se não suas lembranças, arrependimentos e frustrações?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Vou embora!

Vou embora! Antes que seja tarde. Antes que eu me apegue demais. Antes que meu dia comece a ficar vazio sem o seu sorriso. Vou embora! Antes que chegue ao fim. Antes que eu viva coisas demais a ponto de não mais esquece-las. Vou embora! Antes que seja tarde demais. Antes que eu perca o meu juízo. Antes que meu coração comece perder a razão.
Não me ofereça mais nada, nem um café, nem um copo de água. Não me ofereça seus abraços, seus carinhos, seus beijos, sua cama. Não me ofereça mais nada!
Preciso me encher de coragem. Preciso dar adeus. Preciso ir.
Vou embora! Antes que minha boca se feche e meu coração se abra demais. Antes que me prenda na sua teia, com seu sorriso bonito e seus beijos quentes. Antes que me prometa mentiras e me sussurre ao ouvido coisas da sua cabeça, palavras aprendidas e repetidas, mas que nunca moraram no seu coração.
Vou embora! Antes que seja tarde demais!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Carta para o Coração

Coração,

Sei que você anda cansado de tanto remendo, mas será que não dá para recomeçarmos?
Andei pensando, e, acho que hoje estou pronta pra voltar, para reaver os velhos sonhos e colocar de vez uma pedra bem grande em todos aqueles problemas.
Você consegue? Acho que consegue sim. Você sempre foi mais forte e sempre lutou mais pelo nosso futuro, mesmo quando eu desistia.
Até quando eu resolvi parar com o “a gente” você ficou firme, disse que eu podia ir e que você estaria lá, mas que, de repente, se eu demorasse demais você tivesse desaprendido ou então se mudado para outro peito. Acho que foi isso que você me disse aquele dia, mas como sempre estava preocupada demais com o resto não te ouvi direito.
Mas, prometo que agora vou te ouvir, vou absorver cada palavra que disser, não vou esquecer mais nada que me pedir e nem vou mais brigar por coisa à toa. Eu juro. Vou ser mais calorosa, e te cuidar melhor, até dieta faço, tudo pra reaver você.
Para te ajudar a decidir eu limpei a casa, comprei flores, troquei as cortinas e conheci pessoas. Uma delas me abriu os olhos de que eu precisava tomar essa decisão, abrir a sua porta e te pedir pra voltar. Cá estou.

Você volta?

terça-feira, 11 de junho de 2013

A velha casa 378

Havia na casa uma pasmaceira, um cheiro doce e familiar, mas com uma nota de coisa guardada e barata empalhada no cantinho do sofá.
A luz natural, pouca, que entrava, vinha de uma frestinha mal encaixada da janela, que atravessava a cortina desbotada. O tal sofá, dono da barata, quase não tinha mais cor, era um vermelho lavado com um rasgado no couro, desses que espetam o traseiro dos desavisados.
No cantinho, meio na diagonal para a televisão estava a cadeira, onde ela costumava ficar balançando lentamente enquanto catava o feijão e ouvia as notícias do dia. A cadeira agora estava vazia, nem balançava mais, de tanta teia de aranha.
Cecília atravessou a sala, e chegou a cozinha relembrando de como, ali, o ambiente mudava por completo, era cheio de luz, de sons e deliciosos aromas. Quando a encontrava lá, tinha certeza que era um dia bom, que ela estava lúcida e que havia feito bolo para recebê-la.
Mas, as vezes, a encontrava sentada no degrau da sala para a cozinha, meio sem saber o que estava fazendo, ainda de pijama e com o cabelo despenteado. Nesses dias ela já sabia que teria trabalho, convencê-la a se trocar, lavar e pentear.
Fugindo da lembrança dos dias difíceis sentou-se na empoeirada mesa da copa, olhou pela janela e se lembrou das brincadeiras da infância no quintal, e de quando a mãe os chamava daquela janela para almoçar. Era sempre a mesma coisa:  - meninos, venham comer! Lavem essas mãos na torneira aí de fora, quem vier sujo não tem doce!
E eles iam limpinhos, na maior algazarra disputando quem comeria jiló sem fazer cara feira, quem tinha coragem de jogar o fígado para o cachorro e outras loucuras infantis que faziam do almoço o ponto alto do dia.
Sorrindo, sozinha, numa cozinha abandonada se sentiu um pouco louca também, talvez a doença da mãe tenha se manifestado assim, devagar, como naquele dia em que ela colocou o feijão no fogo e saiu para atender uma unha em outro bairro. Ou,  ainda no dia em que se distraiu na máquina e costurou o dedo numa calça.
Agora, depois de tantos anos tinha juntado os cacos dessas lembranças e percebido que a vida havia sido mesmo cruel com a mãe, perder o marido aos 42 anos e com 4 filhos para criar devia deixar qualquer mulher meio pirada, ainda mais naquela época. Tudo era mais difícil, ela fez milagre com o que tinham. Lavou roupa pra fora, fez salgados, doces, uns bicos como manicure, vendeu Avon, costurou, e nunca teve tempo para chorar a perda, ou para ficar de cama porque a tristeza era grande demais. Haviam 4 bocas para alimentar.
A mãe se doara ao máximo. Todos os filhos se formaram, e tinham condições de pagar aquele ótimo lugar em que ela estava ultimamente.
Agora, era a tarefa de Cecília vender a velha casa.  A sua demanda, nessa última visita,  era resgatar os últimos pertences e seguir adiante. 
Terminado o trabalho, deixou, como que por acaso, um cigarro cair aceso no braço do sofá, e rapidamente as chamas se alastraram, como se obedecessem a comandos invisíveis, engoliram a pequena casa.
Ela se deixou ficar para ver, observou o passado sendo libertado no meio da fumaça espiralada que subia do terreno, levando consigo todas as memórias guardadas nas paredes. Ela sorriu mais uma vez, se virou, e deixou o passado nas cinzas.

Nunca mais viu sua mãe.