sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

E a liberdade?

Depois de se cansar de ouvir seu nome na boca do povo e até do sapo, ela desistiu de ser livre. Optou por só fazer sexo com o cara certo, com anel no dedo e papel passado.
Trocou a gelada no boteco por tratamentos estéticos para emagrecer e ficar loira.
Gastou o dinheiro da sonhada viagem de um mês pela América Latina para colocar silicone e acabar com aquela pochete.
Renovou o guarda roupas e passou a vestir a moda atual de Paris, tudo sendo sexy sem ser vulgar.
Parou de falar palavrão, passou a fazer cocô, xixi e nunca soltar pum. Até na missa aos domingos ela foi.
E o resultado de toda essa revolução? Se tornou uma boneca, ficou linda, fútil e se tornou opressora.
Quando via uma mulher de peitos pequenos na rua, achava graça. Quando tinha de se sentar ao lado de uma pessoa obesa no consultório médico,  se encolhia pra não encostar.
Expressões como piranha, galinha, vadia e prostituta de luxo começaram a aparecer frequentemente no seu vocabulário. Apontar os defeitos nos outros se tornou seu passatempo preferido.
Esqueceu completamente quem era, arrumou o tal marido, casou de branco, tirou um monte de fotos, e 2 anos depois estava grávida.
E infeliz.
Os anos se passaram, e ela continuou infeliz.

E uma vez ou outra eu a vejo na feira, com seu salto alto, cabelo cada vez mais loiro e o olhar cada vez mais triste.  Como daqueles velhinhos no asilo que não sabem em que esquina a vida deles ficou.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Seja!

Talvez se você se desprender um pouco do que você quer ser e passar a ser o que você é, a vida fique mais colorida, o céu se torna um azul mais estonteante e até você se torna uma pessoa mais bonita. Muito embora a opinião das pessoas as vezes machuca, o que importa mesmo é a opinião que você tem sobre si. De repente você se cansa de tentar ser perfeita e descobre na mais simplicidade do seu ser a perfeição que você é. Quando você parar de tentar agradar a tudo e a todos, poderá sentir o quão agradável você é. De repente você para de dar ouvidos aos que os outros acham e passa a fazer o que te faz feliz sem atrapalhar a felicidade alheia e descobre que um simples mergulho no mar, molhando os cabelos e deixando-os meio bagunçados e embaraçados, não te faz menos bonita do que é, pelo contrário, te deixa linda. E ainda digo, que se você se concentrar na sua vida e em fazer o bem a quem te cerca, a felicidade vem. Ela vem fácil, doce e harmoniosa. E se você abrir os olhos e passar a enxergar melhor as pessoas à sua volta, talvez perceba que o amor que tanto procura, aquele alguém para partilhar tudo, está ali, te observando de longe, tentando se aproximar desse ser que você tenta mostrar, para alcançar quem você realmente é!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Eu não preciso

Eu não preciso de tv a cabo, só da sua conversa.
Eu não preciso de um computador de 10 mil reais, só do seu sorriso.
Eu não preciso de uma roupa de marca, só do seu abraço.
Eu não preciso mesmo de dinheiro no banco, só da nossa vontade de ser feliz.
Eu não preciso de um colchão da NASA, só do seu braço pra apoiar minha cabeça.
Eu não preciso de comer em restaurantes caros, só de você cortando a cebolinha pra mim.
Eu não preciso ficar no hotel mais caro da cidade, só de dividir o nosso cobertor.
Eu não preciso ir ao shopping, prefiro ficar com você.
Eu não preciso de um ipod, só de ouvir você tocar o violão.

Eu não vou precisar de nada caro ou tecnológico, só de você.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Em dias frios.

Em dias frios eu desejo uma cama macia, uma companhia com mãos carinhosas que me faça um cafuné sem exigências. Eu desejo um bom chocolate, um filme romântico na TV. Desejo uma bacia de pipocas bem salgadinha e uma coberta bem quentinha. Desejo um passado distante de quando a maior preocupação era estar na escola com o uniforme e material certo para o dia. Desejo os dias de sol com banho de piscina e as manhãs todas na praia. Desejo as brincadeiras de infância, correr na rua, pique bandeira e pique esconde. Desejo as brincadeiras na lama formada nas ruas sem asfaltos. Em dias frios desejo desenhar sol no asfalto com giz, fazer a dança do sol e não me preocupar com o que vão pensar de mim. Desejo voltar ao tempo em que a TV era compartilhada e brigávamos para decidir quem comandaria o controle remoto. Desejo a casa cheia de gente, com falatórios e algazarras das crianças. Desejo o cheiro do brigadeiro na panela e da pipoca estourando. Desejo musica agradável aos ouvidos enquanto a água quente enche a banheira. Desejo mousse de chocolate, torta de limão e vinho tinto. Desejo uma companhia para conversar, contar os segredos e rir das loucuras cometidas. Desejo o dia quente, o sol brilhando, o ventilador ligado. Mas quando o dia quente chega eu desejo o dia frio de novo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

E se...

Um vazio no peito ao acordar de manhã. O gosto da mesmice vem a boca junto com o frescor de menta do creme dental. O espelho reflete o mesmo rosto desanimado e abatido de sempre, porém a cada dia num tom mais pálido. Uma tristeza infinita se revela no sorriso amarelo oferecido a quem insiste. O pensamento vai longe enquanto caminha as tantas quadras necessárias. Questões intermináveis saltitam num balé moderno com coreografias extravagantes que não se prevê o próximo passo. O caminhar é lento e cansado, volta e meia se olha para frente, tentando enxergar além do embaraçado conflito que se encontra agora, mas normalmente o olhar é dirigido para o chão, vendo nada além que os próprios pés. As pessoas que cruzam o mesmo caminho parece não notar toda a melancolia existente ali e os que notam não se importam. Os passos dados tem o mesmo ritmo de todos os dias, chega a ser possível conta-los, medi-los com precisão talvez. Enquanto caminha a duvida mais frequente é E SE. E se tivesse feito diferente? E se tivesse pegado a outra rua? E se tivesse com outra roupa? E se tivesse deixado a vida correr? E se mudasse de emprego? E se mudasse de cidade? E se renovasse o guarda roupa? E se fosse embora do país? E se deixasse como está? E se andasse mais depressa? E se fosse dançar? E se fosse viver? E se fosse viver!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Amor!

A tarde chega mansa com o sol enfraquecido pela frente fria que teima em ficar. Ela me segura a mão esquerda enquanto caminhamos a beira mar. Vez ou outra ela me olha e tem um sorriso bobo no rosto.
As ondas se aproximam com respeito e lava nossos pés de passo em passo. Ela ameaça falar alguma coisa, mas desiste e só ouço o som da sua respiração. Eu continuo ali, com sua mão segurando firme a minha, caminho ao seu lado, olho à frente, observo o horizonte.
Ela para de repente, ficamos frente a frente, ela me olha nos olhos com um brilho intenso. Posso ver através de seus olhos o por do sol, posso ver também a felicidade, o amor contagiante, a luz irradiante, a ingenuidade. Ela sorri e me traz paz, me traz a certeza de que tudo valeu a pena. No seu sorriso posso sentir o seu abraço quente e terno, posso sentir o amor, o respeito a admiração. Em momentos simples assim tenho a certeza de que foi a a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida, que talvez não tenha sido planejado, desejado,  nem tenha sido em hora apropriada. Mas foi na hora mais acertada, foi o mais forte dos meus desejos e a minha maior felicidade. Ela continua parada, olhando para mim, segurando forte minha mão esquerda e com um sorriso lindo no rosto me diz: Mamãe, eu te amo!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Bateu um vento

Bateu um vento, trouxe consigo um mar de expectativas de um futuro melhor.
O vento tinha cheiro de novidade, de grama verdinha e de primeiro dia de verão.
Tinha também, uma fertilidade de ideias que quem estava no contra acabou mudando a caminhada de direção e aderindo ao movimento de ventar com a cabeça nas nuvens.
No dia que este vento bateu, sorrisos se abriram, novos negócios surgiram, casais decidiram ter filhos e corretores venderam apartamentos.
O vento ficou tão feliz com toda a mudança que causou que saiu assobiando, rodopiando folhas e levantando saias das distraídas mulheres que andavam por aí cheias de problemas.
E ouvi dizer que ele passa por aqui, trazendo novos ares à salas em prédios que os trabalhadores insistem em deixar a janela aberta.
Que venha! E que traga para nós tudo o que há de melhor!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Do caos se faz o novo começo

É tanto ódio que estou sentindo agora que  a única coisa que sobra é descontar em você.
Estou cansado de ser discriminado, criminalizado, marginalizado, estuprado e manipulado pela mídia, pelo governo, por você e por mim mesmo.
É tanta babaquice, tanta notícia ruim, tanta violência que eu não aguento mais.
Estou a ponto de explodir, de tirar a roupa e sair correndo nu na rua, de quebrar todo e qualquer espaço público ou privado, colocar tudo abaixo e viver na completa anarquia.
Assassinar todo político que eu encontrar na rua, e fazer da vida dos parentes e beneficiários deles e da corrupção um verdadeiro inferno.  Eu to cansado, estou na rua atirando pedras, chutando baldes e assustando criancinhas.

Eu sou o povo, e do caos estou me recriando, criando uma nova consciência sobre o que me rodeia e de quem faz parte do meu corpo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A mulher que imaginava

Aspirou a fumaça do café, acendeu o último cigarro. Olhou pra fora mais uma vez para ver aquela chuva insistente que molhava e lavava tudo como numa cena saída de “Cem anos de solidão”, pensou que assim era melhor, do que uma chuva de sapos como em “Magnólia” .
O friozinho que entrava pela janela junto com o cheiro do café fresco eram revigorantes para a alma, toda vez que chovia e ficava frio se lembrava de uma vida que nunca vivera em alguma cidade grande, em que era editora chefe de uma grande revista internacional.
Até dava para sentir aquela vida que poderia ter acontecido, bem como várias outras. Mas essa era a que mais gostava de imaginar, acordar relativamente tarde tendo dormido com algum estranho na noite anterior, colocar a meia calça, vestir pela cabeça um vestido chique e se enfiar em botas de couro macio. Apagar um cigarro na janela do apartamento do estranho e sair para o trabalho.
Andar pelas ruas frias e limpas da cidade, passar na padaria, comprar um café e o jornal. Atender ao telefone e já resolver um problema pelo meio da rua antes de chegar ao escritório.
Passar o dia avaliando uma coisa ou outra, ser importante e conviver com gente elegante e excêntrica.
Ao final do dia ir para o apartamento bem localizado no bairro nobre, tomar banho de banheira, vestir-se, seguir para um jantar de negócios, acabar a noite em uma boate, e novamente levar pra casa aquele rapaz de 22 anos que trabalha na bilheteria do cinema.

Essa vida poderia ter acontecido, se ela quisesse, assim como tantas outras. Poderia ser a garçonete lésbica do bar de São Paulo, ou a vereadora da câmara de Ecoporanga no interior do Espírito Santo. Podia ser qualquer um, mas escolheu estar ali, seguir aquele fluxo de tempo e se casar com um homem, e ter um filho, e fumar escondido enquanto o marido estava no trabalho e o filho na escola.

sábado, 29 de junho de 2013

Levanta moça!

Então levanta moça, olha da janela. O clima está ameno e o sol faz questão de brilhar.
Toma um banho frio, deixa a tristeza acompanhar a água que te banha e sem demora se esvai.
Levanta moça, veste uma roupa bonita, pinta a boca, ajeita o cabelo, coloca um sorriso no rosto e vem pra cá.
As crianças correm em algazarra faz tempo, a roupa branca já está no terreiro à quarar.
Levanta moça, é sábado, vem olhar daqui de fora, escutar a natureza, vem mostrar sua beleza.
Na beira do rio as lavadeiras já estão a fofocar e adiante as piadas dos homens os fazem gargalhar.
Levanta moça, sacode a roupa de cama, coloca um sorriso no rosto e vem pra cá!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Eu to de TPM

Não, eu não quero saber quando "a minha vida vai encostar na sua"
Eu não quero gritar aos 4 ventos um "beija eu"!
Eu tô cansada desse "seu corpo moreno  abrindo caminhos".
Sabe o que eu quero? Quero amor de verdade, amor de usar o banheiro de porta aberta.
Quero ficar doente e ter você de enfermeiro com o maior bico que eu já vi na vida. E dizendo: não vou sair e deixar você aqui desse jeito, né?!
Sabe o quê mais? Que se exploda "jantar a luz de velas, e amor de sobremesa" eu quero mesmo é dar uma rapidinha pra gente correr e ver  jogo do Brasil.
Ou, então, ouvir um hoje não porque eu to muito bêbado, e o ronco começar meio segundo depois.
"O que eu quero, é ter a sorte de um amor tranquilo, com sabor de furta mordia". Sem licença poética, com direito a chinelo espalhado pela casa e cueca na chave do chuveiro.
Eu quero você, quero sua mãe, suas tias e seus problemas. E que venha tudo com "a força de um furacão", porque isso amigo, isso é a vida real. E quer saber?


VOU DESLIGAR O RÁDIO PORQUE HOJE EU TÔ DE TPM!