terça-feira, 24 de setembro de 2013

E se...

Um vazio no peito ao acordar de manhã. O gosto da mesmice vem a boca junto com o frescor de menta do creme dental. O espelho reflete o mesmo rosto desanimado e abatido de sempre, porém a cada dia num tom mais pálido. Uma tristeza infinita se revela no sorriso amarelo oferecido a quem insiste. O pensamento vai longe enquanto caminha as tantas quadras necessárias. Questões intermináveis saltitam num balé moderno com coreografias extravagantes que não se prevê o próximo passo. O caminhar é lento e cansado, volta e meia se olha para frente, tentando enxergar além do embaraçado conflito que se encontra agora, mas normalmente o olhar é dirigido para o chão, vendo nada além que os próprios pés. As pessoas que cruzam o mesmo caminho parece não notar toda a melancolia existente ali e os que notam não se importam. Os passos dados tem o mesmo ritmo de todos os dias, chega a ser possível conta-los, medi-los com precisão talvez. Enquanto caminha a duvida mais frequente é E SE. E se tivesse feito diferente? E se tivesse pegado a outra rua? E se tivesse com outra roupa? E se tivesse deixado a vida correr? E se mudasse de emprego? E se mudasse de cidade? E se renovasse o guarda roupa? E se fosse embora do país? E se deixasse como está? E se andasse mais depressa? E se fosse dançar? E se fosse viver? E se fosse viver!

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