quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Em dias frios.

Em dias frios eu desejo uma cama macia, uma companhia com mãos carinhosas que me faça um cafuné sem exigências. Eu desejo um bom chocolate, um filme romântico na TV. Desejo uma bacia de pipocas bem salgadinha e uma coberta bem quentinha. Desejo um passado distante de quando a maior preocupação era estar na escola com o uniforme e material certo para o dia. Desejo os dias de sol com banho de piscina e as manhãs todas na praia. Desejo as brincadeiras de infância, correr na rua, pique bandeira e pique esconde. Desejo as brincadeiras na lama formada nas ruas sem asfaltos. Em dias frios desejo desenhar sol no asfalto com giz, fazer a dança do sol e não me preocupar com o que vão pensar de mim. Desejo voltar ao tempo em que a TV era compartilhada e brigávamos para decidir quem comandaria o controle remoto. Desejo a casa cheia de gente, com falatórios e algazarras das crianças. Desejo o cheiro do brigadeiro na panela e da pipoca estourando. Desejo musica agradável aos ouvidos enquanto a água quente enche a banheira. Desejo mousse de chocolate, torta de limão e vinho tinto. Desejo uma companhia para conversar, contar os segredos e rir das loucuras cometidas. Desejo o dia quente, o sol brilhando, o ventilador ligado. Mas quando o dia quente chega eu desejo o dia frio de novo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

E se...

Um vazio no peito ao acordar de manhã. O gosto da mesmice vem a boca junto com o frescor de menta do creme dental. O espelho reflete o mesmo rosto desanimado e abatido de sempre, porém a cada dia num tom mais pálido. Uma tristeza infinita se revela no sorriso amarelo oferecido a quem insiste. O pensamento vai longe enquanto caminha as tantas quadras necessárias. Questões intermináveis saltitam num balé moderno com coreografias extravagantes que não se prevê o próximo passo. O caminhar é lento e cansado, volta e meia se olha para frente, tentando enxergar além do embaraçado conflito que se encontra agora, mas normalmente o olhar é dirigido para o chão, vendo nada além que os próprios pés. As pessoas que cruzam o mesmo caminho parece não notar toda a melancolia existente ali e os que notam não se importam. Os passos dados tem o mesmo ritmo de todos os dias, chega a ser possível conta-los, medi-los com precisão talvez. Enquanto caminha a duvida mais frequente é E SE. E se tivesse feito diferente? E se tivesse pegado a outra rua? E se tivesse com outra roupa? E se tivesse deixado a vida correr? E se mudasse de emprego? E se mudasse de cidade? E se renovasse o guarda roupa? E se fosse embora do país? E se deixasse como está? E se andasse mais depressa? E se fosse dançar? E se fosse viver? E se fosse viver!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Amor!

A tarde chega mansa com o sol enfraquecido pela frente fria que teima em ficar. Ela me segura a mão esquerda enquanto caminhamos a beira mar. Vez ou outra ela me olha e tem um sorriso bobo no rosto.
As ondas se aproximam com respeito e lava nossos pés de passo em passo. Ela ameaça falar alguma coisa, mas desiste e só ouço o som da sua respiração. Eu continuo ali, com sua mão segurando firme a minha, caminho ao seu lado, olho à frente, observo o horizonte.
Ela para de repente, ficamos frente a frente, ela me olha nos olhos com um brilho intenso. Posso ver através de seus olhos o por do sol, posso ver também a felicidade, o amor contagiante, a luz irradiante, a ingenuidade. Ela sorri e me traz paz, me traz a certeza de que tudo valeu a pena. No seu sorriso posso sentir o seu abraço quente e terno, posso sentir o amor, o respeito a admiração. Em momentos simples assim tenho a certeza de que foi a a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida, que talvez não tenha sido planejado, desejado,  nem tenha sido em hora apropriada. Mas foi na hora mais acertada, foi o mais forte dos meus desejos e a minha maior felicidade. Ela continua parada, olhando para mim, segurando forte minha mão esquerda e com um sorriso lindo no rosto me diz: Mamãe, eu te amo!