Bateu um vento, trouxe consigo um mar de expectativas de um futuro melhor.
O vento tinha cheiro de novidade, de grama verdinha e de primeiro dia de verão.
Tinha também, uma fertilidade de ideias que quem estava no contra acabou mudando a caminhada de direção e aderindo ao movimento de ventar com a cabeça nas nuvens.
No dia que este vento bateu, sorrisos se abriram, novos negócios surgiram, casais decidiram ter filhos e corretores venderam apartamentos.
O vento ficou tão feliz com toda a mudança que causou que saiu assobiando, rodopiando folhas e levantando saias das distraídas mulheres que andavam por aí cheias de problemas.
E ouvi dizer que ele passa por aqui, trazendo novos ares à salas em prédios que os trabalhadores insistem em deixar a janela aberta.
Que venha! E que traga para nós tudo o que há de melhor!
Somos um coletivo, somos um e somos muitos. Temos vários convidados a exporem suas ideias, uns falam de amor, outros de política, outros poesia e talvez algum fale de humor. No final o que importa é escrever/falar/gritar pro mundo o que a gente tem no peito!
segunda-feira, 29 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Do caos se faz o novo começo
É tanto ódio que estou sentindo agora que a única coisa que sobra é descontar em você.
Estou cansado de ser discriminado, criminalizado, marginalizado,
estuprado e manipulado pela mídia, pelo governo, por você e por mim mesmo.
É tanta babaquice, tanta notícia ruim, tanta violência que
eu não aguento mais.
Estou a ponto de explodir, de tirar a roupa e sair correndo
nu na rua, de quebrar todo e qualquer espaço público ou privado, colocar tudo
abaixo e viver na completa anarquia.
Assassinar todo político que eu encontrar na rua, e fazer da
vida dos parentes e beneficiários deles e da corrupção um verdadeiro inferno. Eu to cansado, estou na rua atirando pedras,
chutando baldes e assustando criancinhas.
Eu sou o povo, e do caos estou me recriando, criando uma
nova consciência sobre o que me rodeia e de quem faz parte do meu corpo.
terça-feira, 9 de julho de 2013
A mulher que imaginava
Aspirou a fumaça do café, acendeu o último cigarro. Olhou
pra fora mais uma vez para ver aquela chuva insistente que molhava e lavava
tudo como numa cena saída de “Cem anos de solidão”, pensou que assim era
melhor, do que uma chuva de sapos como em “Magnólia” .
O friozinho que entrava pela janela junto com o cheiro do
café fresco eram revigorantes para a alma, toda vez que chovia e ficava frio se
lembrava de uma vida que nunca vivera em alguma cidade grande, em que era
editora chefe de uma grande revista internacional.
Até dava para sentir aquela vida que poderia ter acontecido,
bem como várias outras. Mas essa era a que mais gostava de imaginar, acordar
relativamente tarde tendo dormido com algum estranho na noite anterior, colocar
a meia calça, vestir pela cabeça um vestido chique e se enfiar em botas de
couro macio. Apagar um cigarro na janela do apartamento do estranho e sair para
o trabalho.
Andar pelas ruas frias e limpas da cidade, passar na
padaria, comprar um café e o jornal. Atender ao telefone e já resolver um
problema pelo meio da rua antes de chegar ao escritório.
Passar o dia avaliando uma coisa ou outra, ser importante e
conviver com gente elegante e excêntrica.
Ao final do dia ir para o apartamento bem localizado no
bairro nobre, tomar banho de banheira, vestir-se, seguir para um jantar de negócios,
acabar a noite em uma boate, e novamente levar pra casa aquele rapaz de 22 anos
que trabalha na bilheteria do cinema.
Essa vida poderia ter acontecido, se ela quisesse, assim
como tantas outras. Poderia ser a garçonete lésbica do bar de São Paulo, ou a
vereadora da câmara de Ecoporanga no interior do Espírito Santo. Podia ser
qualquer um, mas escolheu estar ali, seguir aquele fluxo de tempo e se casar
com um homem, e ter um filho, e fumar escondido enquanto o marido estava no
trabalho e o filho na escola.
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